PT recua e fala em pós-reforma trabalhista
Depois de o PT provocar
controvérsia ao sugerir que, se voltar ao poder, revogará medidas econômicas,
como a reforma trabalhista, o discurso de integrantes do partido, agora, é de
que não haverá revogaço e, sim, uma pós-reforma, como está ocorrendo na Espanha.
Segundo aliados do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — líder das pesquisas de intenção de
voto para as eleições deste ano —, o petista defende um diálogo entre
empresários, sindicatos e o Executivo em busca de entendimento. Ontem, ele se
reuniu com sindicalistas e representantes do governo da Espanha, em São Paulo,
para discutir as mudanças que estão sendo feitas na legislação daquele país
(leia reportagem ao lado).
O deputado federal Reginaldo
Lopes (PT-MG) foi um dos que rechaçaram a possibilidade de revogação. Segundo o
parlamentar, o partido propõe, na verdade, um "conserto" das reformas
em vigência no país. "Não é um 'revogaço'. Precisamos fazer um trabalho de
revisão dessas alterações. Essa reforma precariza a relação do trabalho no
país", argumentou. "Estamos iniciando um debate sobre o Brasil, e não
pode ter nenhum tema proibido. Quem defendeu cegamente todas as reformas porque
elas gerariam 10 milhões de empregos precisa se explicar agora."
O deputado federal Afonso
Florence (PT-BA) sustentou que a pauta a respeito da revisão da reforma
trabalhista é legítima e atual. "O que o PT está cogitando é abrir um
debate nacional sobre o assunto, ou seja, como vai ficar, e isso não é só
revogar para ser como era antes", disse.
Florence criticou a reforma levada a cabo no governo Michel Temer e pediu mais cautela para a revisão dos trechos. "Votamos contra porque ela retira direitos, por precarizar o trabalho, e é notório que os resultados que foram propalados não se confirmaram", frisou. "Não vai ser uma canetada nem uma maioria apressada, como foi na aprovação da reforma trabalhista e previdenciária."